Arquiba Botafogo


             ENTRE AMIGOS

             Todos vocês já me ouviram falar sobre o João Marcelo. Uma de suas mais marcantes características é fazer de meus amigos seus amigos. Na companhia dos irmãos Brant, de André Barros, dos leopoldinenses João Luiz Pacheco e Tutuca Zamagna, de Marcelão Cerqueira, o garoto sempre fica muito à vontade.

             Mas há aí uma exceção. E essa exceção atende pelo nome de Luís Roberto de Múcio, narrador da TV Globo. Desde que começou a acompanhar futebol, João elegeu Luís Roberto como seu amigo. Sem qualquer influência minha. Além de bom profissional, o narrador é, sobretudo, um bom colega, sempre pronto a ajudar que o procura. Talvez isso tenha sido captada por João Marcelo, criança sensível que é.

             Ontem eles já encontraram pela primeira vez. E pareciam velhos conhecidos. "Você tem uma voz boa, Luís Roberto", elogiou o menino. João saiu daqui muito feliz. Minutos depois tocava meu celular: "Papai, eu amei o seu trabalho".

             E lá se foram João Marcelo e a tia Karen rumo ao Engenhão, para assistir outro amor em ação: o Botafogo.

             Fico um pouco aborrecido quando não posso ir a um jogo. Mas ontem foi diferente. Com meu filho no Engenhão, cercado da tia e de nossos amigos, me senti lá também. Estava bem representado.

            Procurava me concentrar no trabalho, mas os olhos não desgrudavam da telinha. E como nada é fácil para o Botafogo, os cinco minutos finais foram de muito sofrimento.

           Jogo acabado, classificação garantida, recebo outra ligação: Papai, a gente já tá no trem". E lá se foram rumo à Central do Brasil vagões e mais vagões de felicidade botafoguense.

           Porque o Botafogo somos nós!

           Paulo Marcelo Sampaio

Nota: Meus sentimentos à família de Strauss Ivan Mello. Torcedor do Botafogo, Strauss estava no Engenhão quando sofreu um infarte e não resistiu. Agora ele está se encontrando com Heleno de Freitas, Quarentinha, Carlito Rocha, João Saldanha e muitos outros amantes da Estrela Solitária.

Nota 2: Por problemas no UOL, não consegui postar várias lindas fotos. Estou na luta para que tudo volte ao normal.



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 15h16 [] [envie esta mensagem] []






                        O AMOR ACIMA DAS VITÓRIAS

 

               O único clube do Rio que tem a palavra perder no hino é o Botafogo. Nunca me incomodei com essa provocação. Até mesmo porque o hino do Botafogo - embora lindo, a letra perfeita na música perfeita - foi feito por um torcedor do América. Se a letra tem a palavra perder, o hino carrega uma frase lapidar "foste herói em cada jogo". Sem saber, Lamartine Babo traduziu a alma dos botafoguenses. Quantas vezes, caros leitores, saí do Maracanã, depois de uma vitória contra nossos grandes rivais que nada valia, de alma lavada...

               Nesses momentos épicos pude sentir o verdadeiro significado do foste herói em cada jogo. Porque, para nós, botafoguenses, o que vale é ter o orgulho de ver o Glorioso em campo. Sentimo-nos amadores, juvenis como os meninos que fundaram o clube, no Largo dos Leões. Acreditamos que somos parte do Botafogo, que fazemos também a história do Botafogo. Temos a certeza que podemos levá-lo às vitórias.

              Se elas não vêm, isso não importa. Ainda há jogos pela frente, um treino a assistir, uma competição a conquistar, uma história de arquibancada para lembrar... Amamos o Botafogo sem pensar em vitória. Somos gratos ao Botafogo simplesmente por ele existir. O que seria de nós sem o Botafogo em nossas vidas? "O senhor sabe lá o que é torcer pelo Botafogo? - perguntou Vinicius de Moraes a um milionário de Los Angeles. Mr. Buster não sabia. Nós sabemos, Poetinha!

               Porque o Botafogo somos nós!

               Paulo Marcelo Sampaio

Nota: A montagem acima é um presente de Karla Coelho, botafoguense de Uberaba. Minha foto com Renato Silva, herói no jogo de domingo, foi tirada por Leandro Tedesco, produtor da TV Gazeta Norte, do Espírito Santo, afiliada da Rede Globo. Obrigado, de coração, aos dois.



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 17h43 [] [envie esta mensagem] []






                                O QUE IMPORTA É INCOMODAR

             Geneton Moraes Neto, meu guru, pergunta: "Você já foi ídolo e adversário das torcidas do Flamengo, Fluminense e Vasco. Qual das três é a pior de enfrentar ?

             Romário responde: "A pior de todas acaba sendo a do Botafogo. Não tive a oportunidade de vestir a camisa do Botafogo. Talvez por este motivo eles sejam os que mais me xingam. Mas gosto deles também."

             Já falei aqui que não me incomodo com a ira dos adversários. Acho até que não é esse o caso do Romário. Mas a declaração dele prova que sempre incomodamos.

             O diálogo acima está no Espaço Aberto Esporte de hoje, às 21h30, na GloboNews, canal 40 da Net. Quem não puder ver hoje, tem duas chances amanhã: às 8h30 e às 15h30. Imperdível essa aula de jornalismo.

             O Botafogo somos nós!

             Paulo Marcelo Sampaio

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 17h25 [] [envie esta mensagem] []






MINHA FARDA SEM FARDO

 
                                                                       
 por Mariana Ribeiro

                     Se há uma forma sofrida de se torcer por um time, a conheço bem de perto. Eu a conheço de dentro, de dentro da redação. Essa coisa de fazer notícia não combina com futebol na hora da partida. Dá vontade de levantar da cadeira, de levar as mãos à cabeça, de xingar o juiz. Mas isso não é o pior. O pior é ouvir a torcida cantar e não poder cantar junto. E ninguém cala, nunca, mas aqui são poucas as vozes que se arriscam. Uma pena! Mas, quando uma fala mais alto, aproveito o momento e torço, no embalo, um grito que sai afabado porque tímido, silenciado pela outra voz. Tem sido assim.
 
                     Se por um lado, a timidez ou a falta de prática acanham a torcida, por outro, sinto o prazer de trabalhar com botafoguenses da melhor estirpe. Todos a seu modo tentam controlar os olhos que fogem insistentemente para a telinha e voltam quase que forçados para a outra tela - a do computador. A telinha, tão pequenininha, foi quem mostrou o gol de Renato Silva já no final do segundo tempo. E foi aí que  me dei conta de que a torcida no estádio cabia dentro desta redação. É engraçado perceber como cada um torce - e botafoguenses são, quase por definição, pessoas peculiares. Mas deu mesmo pra fingir que a gente estava no Maracanã: as hierarquias caíram, a gente se abraçou, vibrou junto, gritou gol, como não podia deixar de ser. E, no final da partida, o abraço caloroso, o sorriso cúmplice do amigo e o alívio da vitória me fizeram acreditar naquilo que me move dentro deste campo: ser botafoguense é muito mais do que torcer pelo Botafogo. E é ótimo sentir que tenho tão bons jogadores no meu time. A vitória foi coroada por uma mensagem do meu irmão, no celular, quase que simultânea ao apito do juiz: minha farda sem fardo. No domingo a gente mereceu mesmo ir dormir mais leve.
 
                    Se o Botafogo somos nós e o Maraca foi aqui. Guardemos o grito na garganta para a grande final.  
 
* Mariana Ribeiro, 22 anos, é jornalista
 
------------------------------------------------
 
             Faço das palavras de Mariana as minhas palavras.
 
             O Botafogo somos nós!
 
             Paulo Marcelo Sampaio 
 
Nota: A foto acima é mais uma obra de arte de Pedro Kirilos, meu colaborador.
 


 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 11h43 [] [envie esta mensagem] []






O HERÓI DA HORA



          Hoje todos os holofotes estão voltados para Renato Silva (acima, em foto de Pedro Kirilos), o herói da hora. Ele esteve na TV Globo. Troquei dois dedos de prosa com o zagueiro. "No mesmo jogo, você pode estar no inferno e no céu. Ainda bem que fui ao céu", me disse Renato Silva. Quis saber se ele ficou abalado com o pênalti cometido em Washington. "Na hora você fica chateado, mas como a bola não entrou, segui concentrado no jogo". Parabenizei-o pelo gol de pura raça. Na comemoração, Renato Silva, negro como Maurício, fez a mesma coreografia de nosso herói de 89. "Foi espontâneo, não pensei naquela comemoração não. Coincidência. Foi um desabafo. Em 89, ainda tinha muito jogo pela frente. Ontem não, tava quase no final. Tinha só mais cinco minutos de jogo", disse ele.

           Renato Silva, ainda mancando por causa do grande esforço de ontem, fez questão de dizer que agora a concentração é na Portuguesa.

           Obrigado, Renato Silva!

           O Botafogo somos nós!

           Paulo Marcelo Sampaio



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 13h52 [] [envie esta mensagem] []






A CHAMA QUE NÃO SE APAGA

          Ontem fui acordado por João Marcelo. "Pai, hoje é domingo! Que saco! Vai ser um jogo muito, muito difícil, né papai?" O menino sabe das coisas. E, apesar de prever dificuldades, ficou chateado por não poder ir ao Maracanã.         

          Ontem me senti um soldado fora da batalha. Como estar fora de uma final? Botafoguense é assim. Sempre se inclui no destino de seu clube. Acredita que a presença num estádio pode mudar a história de sua paixão. Se a torcida está otimista, isso se reflete nas quatro linhas. Se dentro de campo os jogadores estão nervosos, isso se reflete nas arquibancadas. Emudecemos. Há sempre a desconfiança da tragédia eminente.

         Ontem não foi diferente. O Botafogo dominava diante de um adversário acovardado, que torcia pelos pênaltis. E até o fim, sofremos.

         Ontem, como vocês sabem, por dever de ofício, não estive no Maracanã. E se, para um jogador é difícil estar fora de um jogo, para um torcedor como eu essa impossibilidade é de uma infinita crueldade. Por isso só acompanhei dois lances pela telinha. A cobrança de pênalti, torcendo por uma defesa de Castillo e - vocês podem estar pensando que estou inventando história - no extato momento do passe de Jorge Henrique para Fábio. "Chuta, chuta, chuta", gritei, como tantos milhares de vozes botafoguenses.

         Ontem me senti um pouco culpado. Por quantas vezes me impacientei com Renato Silva, quantas vezes pedi sua substituição? Com o gol, ele pagou com juros e correção toda a sua dívida conosco. Foi um gol chorado, com a cara do Botafogo.

        Antes do apito do juiz, recebi duas ligações: de minha irmã Karen e de Wellington Gaivoto. Karen, emocionada, chorava; Wellington já cantava vitória. Mal falei com eles. A superstição não deixou. Como contar com uma vitória - reparem bem, não falo de título, falo de vitória - se nada estava acabado?

        Final de jogo, mais duas ligações. Uma de Paulinho Criciúma, pleno de otimismo. A outra de Rodrigo Federman, o botafoguense mais ilustre de Vitória, já pedindo para reservar seu lugar na arquibancada 21.

       Aqui na redação da GloboNews, os botafoguenses se abraçavam como se estivessem no Maracanã. De fato estávamos no Maracanã, em mentes e corações.

       Sentíamos que aquela vitória era nossa. E é nossa. Porque o Botafogo invadiu as nossas vidas, como uma chama que nunca se apaga, nas tristezas e nas alegrias.

       Porque, a cada dia, o Botafogo somos nós, cada vez mais!

       Paulo Marcelo Sampaio

Nota: A foto que ilustra a matéria é do botafoguense Pedro Kirilos. É uma honra para este Arquiba Botafogo publicar um trabalho de tanta qualidade. A arte deste mineiro de coração vocês podem conferir em www.flickr.com/photos/pedrokirilos   

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 11h39 [] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 





BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, BOTAFOGO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, German, Esportes, Livros, Música, História, Política









 
 




1. O passado e o presente do Botafogo FR na visão do meu amigo Roberto Porto, a Enciclopédia do Glorioso!
2. Indico o blog de mais um irmão: Mauricio Thomé Torres
3. Saiba do que acontece no BFR no blog do Movimento Carlito Rocha
4. O blog de José Carlos Araújo, o Garotinho, gênio do rádio
5. Quer comprar livros sobre futebol e com desconto? Visite livrosdefutebol.com
6. Snoopy em preto e branco: o Botafogo no Planalto Central
7. Mundo Botafogo: o Glorioso no Além-Mar
8. Blog do Juca Kfouri, o amigo sem papas na língua
9. O cantinho botafoguense de Rodrigo Federman
10. O politicamente incorreto do Sopa de Tamanco
11. O futebol dos pequenos no site de Sidney Rezende, meu amigo
12. A análise imparcial do meu amigo Gustavo Poli, botafoguense como eu
13. O desenho da política internacional na visão do meu amigo William Waack
14. A análise sempre inteligente de minha amiga Miriam Leitão
15. La Fogoneira, mais um blog botafoguense
16. O futebol da segunda divisão sob o olhar do botafoguense Nelson Siqueira
17. O hóquei no Brasil
18. Mais um blog botafoguense, de Alexandre Zen
19. Blog do Zé Fogareiro, voz das arquibancadas botafoguenses
20. As opiniões do meu amigo botafoguense Fernando Molica
21. Vestiário Alvinegro, a agência de notícias do Botafogo
22. Os retornados, o Brasil na África
23. Literatura e reflexões de Homero Fonseca, torcedor do Santa Cruz
24. A fina flor de Mônica Montone
25. Arena alvinegra
26. Diário da luta em defesa do Botafogo
 
 

Dê uma nota para meu blog