Arquiba Botafogo


             ENTRE AMIGOS

             Todos vocês já me ouviram falar sobre o João Marcelo. Uma de suas mais marcantes características é fazer de meus amigos seus amigos. Na companhia dos irmãos Brant, de André Barros, dos leopoldinenses João Luiz Pacheco e Tutuca Zamagna, de Marcelão Cerqueira, o garoto sempre fica muito à vontade.

             Mas há aí uma exceção. E essa exceção atende pelo nome de Luís Roberto de Múcio, narrador da TV Globo. Desde que começou a acompanhar futebol, João elegeu Luís Roberto como seu amigo. Sem qualquer influência minha. Além de bom profissional, o narrador é, sobretudo, um bom colega, sempre pronto a ajudar que o procura. Talvez isso tenha sido captada por João Marcelo, criança sensível que é.

             Ontem eles já encontraram pela primeira vez. E pareciam velhos conhecidos. "Você tem uma voz boa, Luís Roberto", elogiou o menino. João saiu daqui muito feliz. Minutos depois tocava meu celular: "Papai, eu amei o seu trabalho".

             E lá se foram João Marcelo e a tia Karen rumo ao Engenhão, para assistir outro amor em ação: o Botafogo.

             Fico um pouco aborrecido quando não posso ir a um jogo. Mas ontem foi diferente. Com meu filho no Engenhão, cercado da tia e de nossos amigos, me senti lá também. Estava bem representado.

            Procurava me concentrar no trabalho, mas os olhos não desgrudavam da telinha. E como nada é fácil para o Botafogo, os cinco minutos finais foram de muito sofrimento.

           Jogo acabado, classificação garantida, recebo outra ligação: Papai, a gente já tá no trem". E lá se foram rumo à Central do Brasil vagões e mais vagões de felicidade botafoguense.

           Porque o Botafogo somos nós!

           Paulo Marcelo Sampaio

Nota: Meus sentimentos à família de Strauss Ivan Mello. Torcedor do Botafogo, Strauss estava no Engenhão quando sofreu um infarte e não resistiu. Agora ele está se encontrando com Heleno de Freitas, Quarentinha, Carlito Rocha, João Saldanha e muitos outros amantes da Estrela Solitária.

Nota 2: Por problemas no UOL, não consegui postar várias lindas fotos. Estou na luta para que tudo volte ao normal.



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 15h16 [] [envie esta mensagem] []






                        O AMOR ACIMA DAS VITÓRIAS

 

               O único clube do Rio que tem a palavra perder no hino é o Botafogo. Nunca me incomodei com essa provocação. Até mesmo porque o hino do Botafogo - embora lindo, a letra perfeita na música perfeita - foi feito por um torcedor do América. Se a letra tem a palavra perder, o hino carrega uma frase lapidar "foste herói em cada jogo". Sem saber, Lamartine Babo traduziu a alma dos botafoguenses. Quantas vezes, caros leitores, saí do Maracanã, depois de uma vitória contra nossos grandes rivais que nada valia, de alma lavada...

               Nesses momentos épicos pude sentir o verdadeiro significado do foste herói em cada jogo. Porque, para nós, botafoguenses, o que vale é ter o orgulho de ver o Glorioso em campo. Sentimo-nos amadores, juvenis como os meninos que fundaram o clube, no Largo dos Leões. Acreditamos que somos parte do Botafogo, que fazemos também a história do Botafogo. Temos a certeza que podemos levá-lo às vitórias.

              Se elas não vêm, isso não importa. Ainda há jogos pela frente, um treino a assistir, uma competição a conquistar, uma história de arquibancada para lembrar... Amamos o Botafogo sem pensar em vitória. Somos gratos ao Botafogo simplesmente por ele existir. O que seria de nós sem o Botafogo em nossas vidas? "O senhor sabe lá o que é torcer pelo Botafogo? - perguntou Vinicius de Moraes a um milionário de Los Angeles. Mr. Buster não sabia. Nós sabemos, Poetinha!

               Porque o Botafogo somos nós!

               Paulo Marcelo Sampaio

Nota: A montagem acima é um presente de Karla Coelho, botafoguense de Uberaba. Minha foto com Renato Silva, herói no jogo de domingo, foi tirada por Leandro Tedesco, produtor da TV Gazeta Norte, do Espírito Santo, afiliada da Rede Globo. Obrigado, de coração, aos dois.



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 17h43 [] [envie esta mensagem] []






                                O QUE IMPORTA É INCOMODAR

             Geneton Moraes Neto, meu guru, pergunta: "Você já foi ídolo e adversário das torcidas do Flamengo, Fluminense e Vasco. Qual das três é a pior de enfrentar ?

             Romário responde: "A pior de todas acaba sendo a do Botafogo. Não tive a oportunidade de vestir a camisa do Botafogo. Talvez por este motivo eles sejam os que mais me xingam. Mas gosto deles também."

             Já falei aqui que não me incomodo com a ira dos adversários. Acho até que não é esse o caso do Romário. Mas a declaração dele prova que sempre incomodamos.

             O diálogo acima está no Espaço Aberto Esporte de hoje, às 21h30, na GloboNews, canal 40 da Net. Quem não puder ver hoje, tem duas chances amanhã: às 8h30 e às 15h30. Imperdível essa aula de jornalismo.

             O Botafogo somos nós!

             Paulo Marcelo Sampaio

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 17h25 [] [envie esta mensagem] []






MINHA FARDA SEM FARDO

 
                                                                       
 por Mariana Ribeiro

                     Se há uma forma sofrida de se torcer por um time, a conheço bem de perto. Eu a conheço de dentro, de dentro da redação. Essa coisa de fazer notícia não combina com futebol na hora da partida. Dá vontade de levantar da cadeira, de levar as mãos à cabeça, de xingar o juiz. Mas isso não é o pior. O pior é ouvir a torcida cantar e não poder cantar junto. E ninguém cala, nunca, mas aqui são poucas as vozes que se arriscam. Uma pena! Mas, quando uma fala mais alto, aproveito o momento e torço, no embalo, um grito que sai afabado porque tímido, silenciado pela outra voz. Tem sido assim.
 
                     Se por um lado, a timidez ou a falta de prática acanham a torcida, por outro, sinto o prazer de trabalhar com botafoguenses da melhor estirpe. Todos a seu modo tentam controlar os olhos que fogem insistentemente para a telinha e voltam quase que forçados para a outra tela - a do computador. A telinha, tão pequenininha, foi quem mostrou o gol de Renato Silva já no final do segundo tempo. E foi aí que  me dei conta de que a torcida no estádio cabia dentro desta redação. É engraçado perceber como cada um torce - e botafoguenses são, quase por definição, pessoas peculiares. Mas deu mesmo pra fingir que a gente estava no Maracanã: as hierarquias caíram, a gente se abraçou, vibrou junto, gritou gol, como não podia deixar de ser. E, no final da partida, o abraço caloroso, o sorriso cúmplice do amigo e o alívio da vitória me fizeram acreditar naquilo que me move dentro deste campo: ser botafoguense é muito mais do que torcer pelo Botafogo. E é ótimo sentir que tenho tão bons jogadores no meu time. A vitória foi coroada por uma mensagem do meu irmão, no celular, quase que simultânea ao apito do juiz: minha farda sem fardo. No domingo a gente mereceu mesmo ir dormir mais leve.
 
                    Se o Botafogo somos nós e o Maraca foi aqui. Guardemos o grito na garganta para a grande final.  
 
* Mariana Ribeiro, 22 anos, é jornalista
 
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             Faço das palavras de Mariana as minhas palavras.
 
             O Botafogo somos nós!
 
             Paulo Marcelo Sampaio 
 
Nota: A foto acima é mais uma obra de arte de Pedro Kirilos, meu colaborador.
 


 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 11h43 [] [envie esta mensagem] []






O HERÓI DA HORA



          Hoje todos os holofotes estão voltados para Renato Silva (acima, em foto de Pedro Kirilos), o herói da hora. Ele esteve na TV Globo. Troquei dois dedos de prosa com o zagueiro. "No mesmo jogo, você pode estar no inferno e no céu. Ainda bem que fui ao céu", me disse Renato Silva. Quis saber se ele ficou abalado com o pênalti cometido em Washington. "Na hora você fica chateado, mas como a bola não entrou, segui concentrado no jogo". Parabenizei-o pelo gol de pura raça. Na comemoração, Renato Silva, negro como Maurício, fez a mesma coreografia de nosso herói de 89. "Foi espontâneo, não pensei naquela comemoração não. Coincidência. Foi um desabafo. Em 89, ainda tinha muito jogo pela frente. Ontem não, tava quase no final. Tinha só mais cinco minutos de jogo", disse ele.

           Renato Silva, ainda mancando por causa do grande esforço de ontem, fez questão de dizer que agora a concentração é na Portuguesa.

           Obrigado, Renato Silva!

           O Botafogo somos nós!

           Paulo Marcelo Sampaio



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 13h52 [] [envie esta mensagem] []






A CHAMA QUE NÃO SE APAGA

          Ontem fui acordado por João Marcelo. "Pai, hoje é domingo! Que saco! Vai ser um jogo muito, muito difícil, né papai?" O menino sabe das coisas. E, apesar de prever dificuldades, ficou chateado por não poder ir ao Maracanã.         

          Ontem me senti um soldado fora da batalha. Como estar fora de uma final? Botafoguense é assim. Sempre se inclui no destino de seu clube. Acredita que a presença num estádio pode mudar a história de sua paixão. Se a torcida está otimista, isso se reflete nas quatro linhas. Se dentro de campo os jogadores estão nervosos, isso se reflete nas arquibancadas. Emudecemos. Há sempre a desconfiança da tragédia eminente.

         Ontem não foi diferente. O Botafogo dominava diante de um adversário acovardado, que torcia pelos pênaltis. E até o fim, sofremos.

         Ontem, como vocês sabem, por dever de ofício, não estive no Maracanã. E se, para um jogador é difícil estar fora de um jogo, para um torcedor como eu essa impossibilidade é de uma infinita crueldade. Por isso só acompanhei dois lances pela telinha. A cobrança de pênalti, torcendo por uma defesa de Castillo e - vocês podem estar pensando que estou inventando história - no extato momento do passe de Jorge Henrique para Fábio. "Chuta, chuta, chuta", gritei, como tantos milhares de vozes botafoguenses.

         Ontem me senti um pouco culpado. Por quantas vezes me impacientei com Renato Silva, quantas vezes pedi sua substituição? Com o gol, ele pagou com juros e correção toda a sua dívida conosco. Foi um gol chorado, com a cara do Botafogo.

        Antes do apito do juiz, recebi duas ligações: de minha irmã Karen e de Wellington Gaivoto. Karen, emocionada, chorava; Wellington já cantava vitória. Mal falei com eles. A superstição não deixou. Como contar com uma vitória - reparem bem, não falo de título, falo de vitória - se nada estava acabado?

        Final de jogo, mais duas ligações. Uma de Paulinho Criciúma, pleno de otimismo. A outra de Rodrigo Federman, o botafoguense mais ilustre de Vitória, já pedindo para reservar seu lugar na arquibancada 21.

       Aqui na redação da GloboNews, os botafoguenses se abraçavam como se estivessem no Maracanã. De fato estávamos no Maracanã, em mentes e corações.

       Sentíamos que aquela vitória era nossa. E é nossa. Porque o Botafogo invadiu as nossas vidas, como uma chama que nunca se apaga, nas tristezas e nas alegrias.

       Porque, a cada dia, o Botafogo somos nós, cada vez mais!

       Paulo Marcelo Sampaio

Nota: A foto que ilustra a matéria é do botafoguense Pedro Kirilos. É uma honra para este Arquiba Botafogo publicar um trabalho de tanta qualidade. A arte deste mineiro de coração vocês podem conferir em www.flickr.com/photos/pedrokirilos   

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 11h39 [] [envie esta mensagem] []






            UMA MURALHA ALVINEGRA

          Magdalena Horta era dona de um cartório. Certa vez recebeu a visita de um vendedor de fitas para máquinas de escrever. Para impressionar a freguesa, deitou falação. "Olha, dona Magdalena, é material muito bom, importado". Ela não esperou o rapaz acabar de falar. "Ponha-se daqui pra fora porque você acaba de bater contra uma muralha verde-amarela", disse, plena de patriotismo.

          Mulher tão apaixonada assim só podia mesmo ser Botafogo. No sítio onde mora, em Maricá, há dois mastros: um para a bandeira do Botafogo e outro para a bandeira do Brasil.

          Parabéns, dona Magdalena, pelos 102 anos muito bem vividos. Tenho orgulho de ser seu amigo e de toda sua família.

          O Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio

 

 

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 22h23 [] [envie esta mensagem] []






             MUITA CALMA NA HORA DE DECIDIR

          "Um passo de cada vez". Pincei essa frase na rua. Foi assim que um botafoguense respondeu à provocação de um rubro-negro, que já tratava de colocar o Botafogo na final do Carioca, contra o Flamengo. Meu espírito sorriu. Porque é exatamente assim que me sinto na véspera de uma grande decisão. O lema do dia é: devagar com o andor porque o santo é de barro.

          Confiança sem esquecer da humildade, determinação sem esquecer as limitações!

          Amanhã. por causa do trabalho, me sentirei um soldado fora da guerra. Deixarei de comparecer, pela primeira vez, a um jogo do Glorioso no Carioca. Mas estarei com o coração e com a mente no Maracanã!

          Porque o Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 22h07 [] [envie esta mensagem] []






Zenon revela: "Fui Botafogo quando era criança"

 

          Encontrei esta semana, nos corredores da TV Globo, o ex-jogador Zenon (foto acima). "Mesmo botafoguense, faço questão de apertar sua mão", disse a ele. Jogador de muita categoria, foi um dos responsáveis, junto com Bozó, Capitão e Careca, do primeiro título brasileiro de um clube do interior, o Guarani, em 78. Muito simpático, Zenon veio gravar uma entrevista para o Gol a Gol, programa apresentado pelo botafoguense Léo Batista no Sportv. E me fez uma revelação: "fui Botafogo quando era criança. Mas depois que a gente vira profissional, não tem mais isso. Nosso time é aquele que defendemos".

          E por que Zenon escolheu o Botafogo? Raul Paz, tio dele, morava no Rio de Janeiro. Numa visita a Tubarão, cidade natal de Zenon, em Santa Catarina, tio Raul lhe deu de presente uma flâmula do Glorioso. E assim o Botafogo ganhou o coração do menino Zenon.

          O Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio

Nota: O Botafogo só jogou bem os quinze primeiros minutos do segundo tempo, na partida de ontem, contra a Portuguesa. Imaginem se tivesse jogado os 90 minutos.



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 14h04 [] [envie esta mensagem] []






            UNIDOS PELO BOTAFOGO

          Bebeto de Freitas reassumiu ontem a presidência do Botafogo. Em sua volta, teve uma boa notícia: o Conselho Deliberativo aprovou as contas de 2007. Tranqüilo e doze quilos mais magro, nosso presidente estava otimista. Disse que toda a infra-estrutura do Engenhão estará pronta para o Campeonato Brasileiro. No próximo dia 29, uma terça-feira, o Botafogo fará uma festa no estádio para anunciar o novo parceiro, que cuidará da venda de bebidas e comidas.

          Há muitos outros projetos para movimentar ainda mais o Engenhão. Existem, por ano, de 30 a 32 dias que são ocupados por jogos de futebol. Para Bebeto, o estádio tem que ser usado durante todo o ano e não só nos eventos esportivos.

          Pedi a palavra e quis saber se era delírio meu a idéia de propor a algumas empresas uma parceria para comprar um prédio ao lado do estádio. Assim poderiam servir de alojamento para as divisões de base, tão carentes de atenção. Isso, aliás, foi reconhecido pelo próprio presidente. "Temos muito o que fazer dentro do terreno do Engenhão. É muita área pra ser ocupada", respondeu Bebeto.

          Foi uma reunião produtiva no velho palacete de Vesceslau Braz. Palacete este que já começa a ser restaurado, com financiamento da Petrobras.

          Saí de lá aliviado ao saber que não passa pela cabeça de nossos dirigentes a venda de Wellington Paulista.

         Depois de debates acalorados, uma característica de nosso Conselho, Bebeto de Freitas disse que muito de sua vida devia ao Botafogo."Quando tinha 15 anos, vivi momentos difíceis. Perdi muitos amigos na dura década de 60. Não fui um deles porque o Botafogo não deixou. Além disso, o clube me ajudou a ser o que sou", encerrou, emocionado.

         Ao descer as escadarias do casarão, debaixo de uma fina garoa, estava feliz. O Botafogo, paixão que cresce e arrebata, será mais forte se nossa união ficar ainda mais forte.

         Porque o Botafogo somos nós!

         Paulo Marcelo Sampaio



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 18h19 [] [envie esta mensagem] []






              QUANDO A IRONIA NOS AJUDA

          Caros leitores!

          Qualquer declaração que saia na imprensa, por mais isolada que seja, pode servir de motivação, principalmente numa semana decisiva como essa. O Globo de hoje traz estímulos para aumentar ainda mais a nossa vontade de vencer.

          "Minha passagem pelo Botafogo foi maravilhosa", ironiza o treinador tricolor. De maravilhoso, para ele, deve ter sido o churrasco que lhe serviu o amigo Gaúcho, um dia depois do primeiro jogo da final do Brasileiro de 92. Nunca vou me esquecer do gesto espalhafatoso de Renato Gaúcho, reclamando de Pichette, logo no início do jogo. Uma maldade, uma falta de companheirismo.

          Na noite anterior, meu amigo Marcelo Moreira, na época repórter da editoria Cidades do Jornal do Brasil, foi à ilha dos Pescadores cobrir uma briga entre Ryan Gracie e um grupo de boxe tailândes. Quando chegou lá, a confusão tinha acabado. Bom repórter e com sorte, Marcelo viu Gaúcho e Renato Gaúcho saindo da ilha. O encontro e a alegria de Renato viraram notícia de jornal. Não acho, sinceramente, que adversários em campo têm de ser inimigos fora dele. Mas numa noite em que milhares de botafoguenses estavam chateados, nosso principal jogador estava celebrando - não sei o que - como se nada de anormal tivesse acontecido no Maracanã.  

          Viro a página e eis a ironia de Joel Santana: "Eles que se enrosquem para ver quem terá o prazer de nos enfrentar na decisão do Estadual".

          Atenção, diretoria! Atenção, comissão técnica! Até sábado, muita notícia assim vai sair nos jornaisi. O negócio é recortar tudo e colocar nas paredes do vestiário do CT João Saldanha, em General Severiano.

          Tudo servirá de para nos motivar! Porque o Botafogo somos nós! 

          Paulo Marcelo Sampaio

 

 

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 11h29 [] [envie esta mensagem] []






          BRIO E RAÇA

          Caros leitores!

          Como todo botafoguense, tenho lá minhas superstições. Às vezes sou tão supersticioso que nem revelo minhas manias. Outras são fáceis de descobrir. Se mudo de lugar e o Botafogo faz um gol, fico lá até o final. No último jogo contra o Fluminense, o meu João Marcelo insistiu em assistir o jogo do lado da Fúria. Resultado: 3 a 1 Botafogo.
          Ontem, no auge da tensão, andava de um lado para outro. Até que encontrei Fabiano Bichara, meu velho amigo de Mancha Alvinegra. Olhos atentos ao gramado, ouvia Fabiano falar do primo, Pedro Kirilos, fotógrafo e botafoguense. "Você tem que colocar umas fotos dele no seu blog, Paulo!", me pedia o amigo. "Com o maior prazer", respondi. E logo depois disso, gol de Wellington Paulista. Era um sinal para que eu não mudasse de lugar.

          Veio o segundo tempo e o brio e a raça que tanto exigimos estavam personificados na figura de Diguinho! Que partida fez o garoto! Eu, que não sou tão garoto assim, estreei uma camisa do Botafogo, doce presente de Adriana, número  40 - minha idade - às costas. De Florianópolis, um amigo mandou uma mensagem pra tela do meu celular: "Estou assistindo sozinho o nosso amado Botafogo".

          Solidão combina com o clube que tem como símbolo a estrela solitária. O amor que sentimos pelo Botafogo arrebata e nos une. Pelo Botafogo fazemos grandes amigos, mas é na solidão, atentos ao jogo, concentrados, que sentimos mais esse amor. Que não se cala.

          Porque o Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio

Nota: Por motivos técnicos, não pude postar as fotos de Pedro Kirilos. Assim que o blog voltar ao normal, colocarei as obras de arte de Pedro. Desculpem-me! Fiquem atentos!

  



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 11h38 [] [envie esta mensagem] []






            LIÇÕES DE UMA DERROTA

          "Foi o campeonato mais fácil que perdi. Tínhamos a melhor campanha. Mas, na final, faltou o algo a mais. Muitos jogadores falaram que não precisavam voltar pra marcar porque Carlos Alberto Santos e eu faríamos isso".

          Essas revelações foram feitas a mim por Pingo, na noite de sexta-feira, no jantar de noivado de sua filha Thais com meu primo Philippe, na Ilha do Governador. Atualmente técnico dos juniores do Joinville, clube de sua terra natal, o meia fala com carinho do Botafogo. Apesar de ter vestido outras camisas, se declara botafoguense. E lembra que, quando deixou o Glorioso, temia enfrentá-lo. "Os jogadores de outros clubes sempre se preocupavam. Às vezes o Botafogo não tinha um time técnico, mas sempre jogava com muita raça. Foi isso que fiz quando estive lá".

          Pingo jogou no Botafogo em dois periodos. De 90 a 92 e de 97 a 98, cinco anos de dedicação.  "Quando perdemos o Brasileiro, já estava com meu contrato renovado. E o São Paulo veio com uma proposta forte. Mas eu não queria sair," lembra ele. As lembranças se misturam à saudade ao falar de Emil Pinheiro. "Pouco depois do anúncio que o São Paulo estaria interessado em mim, aconteceu um negócio engraçado. Fui ao banco checar meu extrato bancário e notei que tinha dinheiro a mais na conta. Fui checar. E descobri que tinha sido o seu Emil quem tinha me dado aumento, sem eu pedir nada. E ainda ganhei um Kadett branco, um carro de certo luxo na época." Logo depois, Pingo saiu. Ele era o único que pertencia ao Botafogo. E o clube estava precisando fazer caixa.

          Mas Pingo não guarda só más recordações do nosso Glorioso. No campeonato de 97 - aquele dos 100% de aproveitamento na Taça Guanabara - o meia revela que o grupo se reuniu todos os dias, durante um mês, para comemorar a conquista. Pareciam torcedores. Naquele titulo, Joel Santana construiu um pilar, os homens de confiança, como ele mesmo me falou, antes de gravar uma entrevista na GloboNews, no final do ano passado. "Com Pingo, Jorge Luiz, Djair e Ailton, eu ficava tranqüilo em qualquer clube".

          Hoje Pingo, 40 anos completados em 14 de fevereiro, está na sua melhor forma. Vai disputar, a partir de 4 de maio, um torneio de showbol, em Rio das Ostras, pelo Botafogo, ao lado de Ricardo Cruz, Gottardo, Gonçalves, Carlos Alberto Santos, Ailton, Mauricio, Carlos Alberto Dias, Valdeir e Pichetti.

          E por que raios, leitores, vocês devem estar se perguntando, por que raios este blogueiro lembrou de uma das derrotas mais traumáticas de nossa história recente? Simples responder. Aquela foi a derrota da soberba, da falta de solidariedade, da auto-suficiência. Por coincidência, Pingo estava tanto no fracasso de 92 como na conquista de 97. Esta sim, foi a vitória contra tudos e contra todos. Lembram-se da rebolada do Edmundo? Pois é, futebol se ganha com os pés no chão, com humildade e concentração. Como em 89 e 97.

          Pra cima de todos, porque o Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 22h13 [] [envie esta mensagem] []






          UM CRAQUE NO ESTALEIRO

          Luca, cinco anos, botafoguense como o pai, Carlos Domingues, estuda no Colégio Santo Inácio, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Um dia voltou pra casa com o braço todo ralado. O pai quis saber o que tinha havido. O pequeno explicou: "Tava com a bola, um menino me empurrou, caí e ralei meu braço. Aí me levaram pro apartamento médico, papai!"

          O Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio   



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 13h17 [] [envie esta mensagem] []






               O  AMOR QUE NÃO SE CALA

          Pode parecer contraditório o que vou afirmar, mas ontem, caros leitores, não senti orgulho dos jogadores que defenderam a nossa camisa. Orgulhei-me de nós mesmos, botafoguenses, apaixonados e otimistas. Está provado que ingressos mais baratos e promoção para mulheres e crianças são capazes de lotar o Engenhão.

          Mas há muito a ser corrigido. O Engenhão ainda não está preparado para receber um grande público. No setor oeste, por onde entrei, várias catracas quebraram. Um tumulto só. Centenas de pessoas chegaram ao anel interno com a bola já rolando. A parceria para a administração do Engenhão é mais do que urgente. Sem ela o Botafogo perde dinheiro.

          Nas quatro linhas o Botafogo jogou pro gasto e garantiu a classificação para as oitavas-de-final da Copa do Brasil. Só nos últimos cinco minutos prendemos a respiração, temendo um desfecho que nos levaria aos pênaltis. Nada mais Botafogo do que isso.

          Muita gente ficou preocupada com o baixo rendimento de Jorge Henrique. Também fiquei. Mas, quem sabe, ele não está se guardando para domingo? Será que ele vai nos dar um presente, como sempre costuma fazer?  

          A cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo, o Botafogo somos nós!

          Paulo Marcelo Sampaio

 



 Escrito por Paulo Marcelo Sampaio às 12h07 [] [envie esta mensagem] []




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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, BOTAFOGO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, German, Esportes, Livros, Música, História, Política









 
 




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2. Indico o blog de mais um irmão: Mauricio Thomé Torres
3. Saiba do que acontece no BFR no blog do Movimento Carlito Rocha
4. O blog de José Carlos Araújo, o Garotinho, gênio do rádio
5. Quer comprar livros sobre futebol e com desconto? Visite livrosdefutebol.com
6. Snoopy em preto e branco: o Botafogo no Planalto Central
7. Mundo Botafogo: o Glorioso no Além-Mar
8. Blog do Juca Kfouri, o amigo sem papas na língua
9. O cantinho botafoguense de Rodrigo Federman
10. O politicamente incorreto do Sopa de Tamanco
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19. Blog do Zé Fogareiro, voz das arquibancadas botafoguenses
20. As opiniões do meu amigo botafoguense Fernando Molica
21. Vestiário Alvinegro, a agência de notícias do Botafogo
22. Os retornados, o Brasil na África
23. Literatura e reflexões de Homero Fonseca, torcedor do Santa Cruz
24. A fina flor de Mônica Montone
25. Arena alvinegra
26. Diário da luta em defesa do Botafogo
 
 

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